mostrar, esconder, jogar

Antes de mais nada, é bom deixar claro que este não é um blog de putaria propriamente dito, mas que muitas das postagens vão envolver o tema. Mesmo porque, como já dizia Dom Pedro Dinis Ferreira Quaderna, no Romance da Pedra do Reino, é muito bom ler e escrever safadeza.

Sendo novo nessa história de blog, vinha pensando por onde começar. Decidi fazer uns apontamentos simples que envolvem duas das minhas grandes paixões: cinema e putaria. Dessa forma talvez eu consiga dar o tom do tipo de coisa que eu quero continuar postando por aqui. Uma espécie de programmatic statement.

Pois bem. Começo então falando do que considero a melhor cena erótica da história do cinema. Trata-se de um jogo de xadrez entre Faye Dunaway e Steve McQeen em The Thomas Crown Affair (1968) – no Brasil, “Crown, o Magnífico”.

O leitor deve lembrar que, na cena, eles não chegam mesmo às vias de fato e vai, assim, questionar minha escolha. Devo então explicar minha opinião. O resumo é simples: no cinema, como no sexo, esconder pode ser tão importante quando mostrar. Melhor dizendo, tanto em um quanto no outro, é possível mostrar muito mais com muito menos.

Isso acontece porque o menos faz com que se ative um elemento indispensável para uma boa foda: a imaginação. Se a imaginação determina os limites de onde queremos ir, as possibilidades são infinitas.

A força da cena está justamente em conseguir captar o momento fugidio do antes, do momento em que a tensão e a química se transformam em ação. O momento em que a espera, que pode ser tão miserável, está prestes a se transformar em memória.

O que torna a cena imbatível é como Faye toca a pele enquanto ajusta o vestido ou passa delicadamente a ponta dos dedos pelos braços, como eles tocam os próprios lábios imaginando a próxima jogada, como ela acaricia a cabeça da peça… ou não seria uma peça? Todos os gestos dizem respeito a qual será the next move.

No remake de 1999, a cena é substituída por uma trepada monumental entre René Russo e Pierce Brosnan. Provavelmente a idéia foi, como acontece em toda refilmagem, dar um up na cena original tornando-a mais poderosa. Não funcionou. Por mais legal que possa ser uma cena mais explícita – assim como ler, todo mundo gosta de assistir safadeza – surge o problema de colocar um gesso na imaginação.

É no vai e vem entre o jogo e a conquista, entre a imaginação e a ação que fica a força da cena original. Essa brincadeira pode ser melhor que muita trepada bem-feita.

Tendo dito isso, o jogo sem conclusão…